sábado, agosto 15, 2009

Pequenos Burgueses - uma breve reflexão

Terminei de ler há pouco a peça de teatro Pequenos Burgueses de Maximo Gorki. Causou-me impressão profunda. A história se passa num ambiente familiar asfixiante na Rússia pré-revolucionária. O realismo da obra revela como viviam os homens no Império Russo do início do século XX. A peça é, assim, um retrato exatificante da sociedade do escritor.
Gorki a escreveu em 1901. É um dos primeiros trabalhos de peso do escritor. As personagens vivem num meio niilista. São espectros de uma realidade condicionada pela mesquinhez. Bessemenov é a figura paterna que representa a ganância, a sovinice, o desejo pelo lucro. Piotr, filho de Bessemenov, é um intelectual insatisfeito. Tatiana é a filha depressiva e angustiada. É um tipo de figura de figura que representa a feminilidade opressa pelas tradições burguesas. A mulher deveria casar até certa idade. Era necessário se preocupar com essa imposição para não ficar mal vista.
Outra figura importante na peça é Nil, um entusiasta, destemido e trabalhador. É a figura do revolucionário. Daqueles que mais tarde empunhariam lanças e espadas e fariam a Revolução de 1905; e, mais tarde, a Revolução Russa de 1917. Nil é um tipo de arquétipo do proletário valente. Do homem destemido que enfrenta o frio, a neve, a fome, os soldados do czar e que é capaz de duelar com o desconhecido com as próprias mãos.
Mas ao meu modo de ver, o personagem mais interessante da obra é um pensionista e cantor que mora na casa de Bessemenov chamado Teteriev. Este personagem me deixou a impressão de que era um cínico, maquiavélico e cético. Essa atribuição de valores não é negativa. Muito pelo contrário. Teteriev é a figura mais lúcida da obra. Suas intervenções são profundamente filosóficas. As enunciações que faz evidenciam verdades desconcertantes. A lucidez de Teteriev cria um contraste na história. Ele é um ícone da racionalidade. Porque ao seu modo de ver “só os homens duros, inflexíveis como espadas, abrem caminho...”. Ou: “...é melhor morrer caminhando, do que apodrecer no mesmo lugar”. Ou ainda: “Vivo apenas por curiosidade”.
O livro é assim um tipo de literatura que evidencia o proletariado. O retrato familiar burguês é um quadro notável da sociedade russa. É a sociedade russa miniaturizada com suas lutas infames, com seus dilemas mesquinhos e com o seu niilismo. Gorki retrata essas questões com uma vivacidade realista impressionável. Acredito que quadro mais vivo e dramático é mostrado em A Mãe, que principiarei a leitura.

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 15 de agosto de 2009, 20:38:51

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