sexta-feira, maio 25, 2012

Que maravilha! "Filósofo meditando" - de Rembrandt

Mais do que um simples pintor, Rembradt foi um extraordinário psicólogo. O seu quadro Filósofo meditando (de 1632) é uma das obras mais laureadas de todos os temois. O pintor holandês consegue fundir uma série de impressões e elementos filósoficos por meio de símbolos na pintura. O aspecto mais curioso é a focalização da intimidade de um pensador. Seu dilema. O olhar vago. Perdido em possibilidades e abstrações. A escada em espiral, constituindo uma espécie de fuga, de viagem mental que leva ao infinito. A luz e a sombra a se beijarem, a constituírem um entrelaçamento como se fossem um redomoinho. 

No centro, um pequena porta fechada. O que ela abriga? Quais segredos velados ou possibilidades de descobertas esconde? A porta representa o mistério. O inconsciente e suas feições informes. O mistério. O insondável. O filósofo, de olhar baixo, contempla as mãos num gesto de abandono e seriedade. 

Em contraste, uma luz rala, diáfana, penetra o interior do espaço, doura as paredes de madeira. Ilumina o filósofo e sua mesa de traballho. Seria a razão, capaz de tornar clara todas as coisas em meio às trevas do não conhecimento? Um contraste se firma no interior do espaço, pois uma mulher em sua atividade diária manipula um braseiro. O labor diário é um contraste à atividade filósofica, que exige tempo e percepção das realidades aprisionadas no interior escuro da mente, por isso, o filósofo mergulha em si, iluminado pela luz da razão.

A espiral da escada é um centro em movimento, que sobe e desce. Na quietude da cena, esse dinamismo encarna as meditações do filósofo, que por fora mostra placidez, mas que, quiça, em sua interioridade, guerras estejam sendo travadas. Nietzsche diria mais tarde que o homem consciente de si e do mundo é um campo de batalhas. A proporção das personagens humanas em contraste com o cenário intensifica a tônica de sensação de interioridade. A metáfora é clara: o homem mergulhado na escuridão, no seu lado obscuro e desconehcido, busca com a rutilância da razão, entender a si mesmo num mundo vasto e misterioso.

Rambradt era um mestre extraordinário. Quadros como Filósofo meditando, A festa de Baltasar ou A volta do filho pródigo atestam a sua genialidade.

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